Cáceres, 23 de abril de 2026 - 10:43

Segunda falha consecutiva expõe improviso e desorganização em eventos do Turismo de Cáceres

Segunda falha consecutiva expõe improviso e desorganização em eventos do Turismo de Cáceres

 A secretária municipal de Turismo e Cultura de Cáceres, Alessandra Castilho, passou a ocupar o centro de um desgaste que já não atinge apenas sua atuação administrativa, mas também o grupo político que bancou sua permanência no cargo. Em menos de dois meses, a pasta comandada por ela acumulou dois episódios seguidos de falha na condução de eventos anunciados pela própria Prefeitura, ambos marcados por problemas na documentação de convênios estaduais, falta de definição e forte repercussão negativa.

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 O primeiro caso foi o Cáceres Folia 2026. Dias antes da festa, Alessandra afirmou em entrevista que o município havia conseguido R$ 600 mil via Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico(SEDEC) para viabilizar o Carnaval. A declaração transmitia segurança e dava a entender que a fonte de custeio estava resolvida. Depois, porém, documentos mostraram que a realidade foi outra: as despesas acabaram sendo pagas com recursos próprios da Prefeitura.

 No início, o levantamento apontava cerca de R$ 640 mil em gastos, sendo aproximadamente R$ 330 mil com atrações e mais R$ 310 mil com estrutura. O caso, no entanto, ganhou ainda mais força após o vereador Cézare Pastorello(PT) divulgar vídeo afirmando que os registros do Portal da Transparência indicam despesas de aproximadamente R$ 835 mil. A diferença entre os valores colocou em debate não apenas o custo real da festa, mas também a transparência da execução e o peso da conta sobre o caixa do município.

 

 Na crítica, Pastorello lembrou que recurso próprio significa dinheiro do contribuinte e questionou a coerência da administração diante de queixas frequentes sobre falta de verba para demandas básicas, como tapa-buracos, roçagem de bairros e apoio a atividades esportivas e culturais. A cobrança encontrou terreno fértil porque atingiu um ponto sensível: a gestão que tantas vezes alega dificuldade financeira conseguiu abrir espaço para bancar um evento que havia sido anunciado como custeado pelo Estado.

 Depois da repercussão, a própria Alessandra confirmou que o convênio não se concretizou e que a despesa precisou ser reclassificada para recurso próprio quando a estrutura do evento já estava montada. Segundo ela, a decisão de manter o Carnaval foi tomada em conjunto com a prefeita para evitar o cancelamento da programação. A explicação até ajuda a entender a escolha política de não suspender a festa, mas escancara uma fragilidade administrativa difícil de ignorar: o anúncio foi feito antes de a verba estar efetivamente garantida.

 O problema é que a crise não terminou no Carnaval. Agora, a Prefeitura também cancelou a Páscoa Feliz 2026 poucas horas antes da abertura, mesmo após já ter divulgado programação oficial. Em nota, a administração alegou que a realização dependia de convênio com a Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer, que não foi formalizado em tempo hábil. Sem isso, segundo a gestão, não havia como empenhar recursos nem firmar os contratos necessários.

 A sequência é especialmente grave porque revela o mesmo tipo de falha em dois eventos diferentes. No primeiro, a Prefeitura assumiu a conta com dinheiro próprio depois que o convênio não saiu. No segundo, a programação simplesmente desmoronou antes de começar. Em ambos os casos, o ponto central foi o mesmo: deficiência na condução documental e na articulação prévia de convênios que deveriam estar resolvidos antes de qualquer anúncio oficial.

 E é justamente aí que o problema deixa de ser apenas técnico. Indicada por um grupo político ligado ao ex-deputado federal Dr. Leonardo e ao deputado estadual Valmir Moretto, ambos do Republicanos, Alessandra Castilho agora leva para esse grupo o desgaste de uma secretaria que falhou duas vezes seguidas no básico. A permanência dela no cargo passa a produzir um efeito político indesejado para quem a apadrinhou, porque cada novo erro deixa de ser visto só como falha da gestora e passa a ser lido também como reflexo do critério usado para escolhê-la.

 O cenário é ruim porque a função exige exatamente o oposto do que se viu nesses dois episódios. Convênio não é detalhe periférico, nem papelada que se resolve depois. Exige antecedência, acompanhamento, segurança jurídica e controle. Anunciar evento antes de fechar essa engrenagem é trocar planejamento por aposta. Quando dá errado uma vez, a gestão tenta se explicar. Quando acontece de novo, no mesmo setor e pelo mesmo motivo, já não parece acaso. Parece incapacidade de aprender com o próprio erro.

 

 Hoje, o desgaste de Alessandra Castilho não se resume mais a críticas de oposição ou barulho de bastidor. Ele já se sustenta em fatos concretos: um Carnaval anunciado com verba estadual e pago com dinheiro do município, uma diferença de valores que reacendeu a discussão sobre o custo real da festa e uma Páscoa cancelada no dia da abertura por falta de formalização documental. Para uma secretaria que deveria organizar, antecipar e dar segurança à execução dos eventos, é uma sequência pesada demais para ser tratada como simples contratempo.

 A pressão, neste momento, já não é só política. É cobrança por competência. Porque, em gestão pública, improviso pode até salvar uma festa, mas não salva a credibilidade de quem erra duas vezes seguidas no mesmo ponto. E, se um terceiro episódio semelhante voltar a acontecer, a imagem de descontrole na pasta deixará de ser percepção de adversário para virar marca definitiva da gestão.

 Se vier outro tropeço nessa mesma linha, aí a ironia vai se impor sozinha em Cáceres: será difícil evitar a leitura de que a secretária entrou de vez naquela fase em que a terceira já não pede mais explicação. Pede música no Fantástico.

 Fonte: Folha5

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