Proposta busca mais transparência, previsibilidade e eficiência, sem abrir mão do rigor técnico exigido para atuação médica no Brasil
A dificuldade de levar médicos para municípios do interior e regiões mais distantes dos grandes centros é um dos principais gargalos da saúde pública brasileira. Para enfrentar esse desafio, Irajá Lacerda, advogado, ex-secretário-executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária e pré-candidato a deputado federal, defende a modernização do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituição de Educação Superior Estrangeira, o Revalida.
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Segundo Irajá, o debate não deve ser tratado como uma tentativa de facilitar a prova, mas como uma agenda de transparência, previsibilidade e eficiência. “O debate não é sobre tornar o Revalida mais fácil. É sobre torná-lo mais transparente, mais previsível e mais eficiente. A qualidade da medicina brasileira deve continuar sendo protegida, mas o processo também precisa evoluir para dar respostas mais rápidas à sociedade”, afirmou.

Somente em 2025, somando as duas edições do Revalida, foram 38.688 inscritos na primeira etapa do exame. Na edição 2025/1, foram 17.776 médicos inscritos e confirmados, o maior número de participantes já registrado em uma edição, segundo o Inep. Ao mesmo tempo, dados da Demografia Médica no Brasil 2025 mostram a desigualdade na distribuição de profissionais: enquanto o Distrito Federal registra 6,28 médicos por mil habitantes, o Maranhão tem 1,27. Em Mato Grosso, são 9.141 médicos em atividade, o equivalente a 2,38 profissionais por mil habitantes, índice abaixo da média nacional de 2,98.
A proposta defendida por Irajá está estruturada em três eixos: transparência, eficiência e governança. Entre as medidas estão o credenciamento permanente de hospitais universitários e públicos para ampliar a capacidade da prova prática, a definição de prazo máximo de 120 dias entre a primeira e a segunda etapa, a publicação de critérios objetivos de correção, a criação de relatório individual de desempenho e a implantação de sistema eletrônico de recursos com fundamentação individualizada.
As dificuldades do atual formato são sentidas por profissionais que aguardam a revalidação do diploma. O médico Robson Dantas de Azevedo, de 26 anos, natural de Pontes e Lacerda, trabalha atualmente no Paraguai como médico e professor universitário. Ele aguarda o desfecho do processo para voltar a morar perto da família. “Resolvi estudar fora porque financeiramente não dava para pagar R$ 10 mil, R$ 15 mil por mês em uma faculdade no Brasil. Além de ser uma prova difícil, o processo é muito longo. Entre as provas, a emissão do diploma brasileiro e o CRM, pode levar quase um ano”, relatou.
A médica Bruna Alves Ribeiro, de 25 anos, também nascida em Pontes e Lacerda e formada no Paraguai, participou do processo em 2025 e relata o peso financeiro e emocional do exame. “Assim como eu, muitos profissionais consideram injusta a correção da prova prática. Acaba sendo um processo bem desgastante. Além disso, o valor da taxa da prova prática, de cerca de R$ 4,1 mil, é muito elevado, sem contar os gastos com deslocamento, alimentação e hospedagem. Muitos profissionais não conseguem arcar com todos esses custos”, afirmou.
Irajá Lacerda enfatiza que a modernização do exame é uma agenda de interesse público e de dignidade humana para a população do interior. “Não podemos aceitar que famílias sofram pela falta de atendimento enquanto existem profissionais esperando a oportunidade de comprovar sua capacidade. Cuidar das pessoas é fazer a burocracia ceder espaço à necessidade real da população”, concluiu.
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