Cáceres terá 12 candidatos na disputa por uma das 24 cadeiras da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). A definição das chapas confirmou aquilo que lideranças políticas e empresariais tentaram evitar nos últimos meses: uma eleição marcada pela pulverização do voto cacerense e com candidatos concorrendo diretamente pelo mesmo eleitorado.
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Mesmo com aproximadamente 60 mil eleitores, o município chega à eleição com uma dúzia de nomes locais espalhados por nove partidos. A preocupação é matemática e política. Quanto maior a divisão dos votos dentro de Cáceres, maior será a necessidade de cada candidato buscar apoio fora do município para alcançar votação suficiente para entrar na disputa por uma cadeira.
O cenário chama ainda mais atenção porque houve, nos últimos meses, uma movimentação de empresários, lideranças políticas e representantes da sociedade em defesa da redução do número de candidaturas. A ideia era concentrar forças em poucos nomes e aumentar as chances de Cáceres voltar a ter representação própria na Assembleia.

A tentativa não prosperou.
O caso mais emblemático é o Novo. Sozinho, o partido colocou três candidatos de Cáceres na corrida: Missionária Elaine Belussi, Pastor Sargento Gualterney e Dra. Ana Rosa Job.
O MDB aparece logo atrás, com dois nomes conhecidos da política local: o ex-prefeito Túlio Fontes e o ex-vereador Marcinho Lacerda.
Completam a lista Cézare Pastorello (PT), Girlane Silva (PDT), Jerônimo Gonçalves (PL), Luciene Neves (PCdoB), Marcos Ribeiro (PSD), Odenilson Silva (PSDB) e Valdeníria Dutra (Podemos).
Ao todo, são 12 candidatos disputando espaço e, principalmente, tentando conquistar uma fatia do eleitorado cacerense.
A quantidade só não é ainda maior porque o empresário Ricardo Castela desistiu de levar adiante sua candidatura. Ao anunciar a decisão, ele justamente apontou a pulverização como uma das preocupações e defendeu que Cáceres precisava diminuir a quantidade de nomes para aumentar as chances de voltar à Assembleia.
Outra baixa ocorreu no MDB. Júlio Panoff chegou a ter o nome homologado na convenção estadual realizada na terça-feira (4), mas, menos de 24 horas depois, ficou fora da nova composição apresentada pela legenda após uma reorganização da estratégia eleitoral. Com isso, o número de candidatos de Cáceres caiu para os atuais 12.
Apesar das duas baixas, o problema central permanece.
A disputa coloca diferentes grupos políticos, religiosos e partidários atrás dos mesmos votos. Para os candidatos, isso significa que depender exclusivamente do eleitorado de Cáceres pode não ser suficiente. Quem conseguir construir bases em municípios da região Oeste e em outras partes de Mato Grosso poderá ganhar vantagem sobre os adversários que concentrarem suas campanhas dentro da cidade.
Para Cáceres, a conta é ainda mais delicada. O município poderá registrar uma votação expressiva somando os seus 12 candidatos e, ainda assim, terminar a eleição sem conquistar uma cadeira caso esses votos fiquem excessivamente espalhados.
É justamente esse fantasma que volta a rondar a política cacerense: ter votos para eleger um representante, mas não conseguir transformá-los em uma cadeira na Assembleia Legislativa por falta de concentração eleitoral.
Fonte: Folha5
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