Enquanto o estado discute torcida em planilha, o presidente da Fera da Fronteira fez algo simples e ousado: tratar o torcedor como protagonista. O resultado está nas catracas.
No último domingo, 24 de maio de 2026, 3.234 torcedores passaram pelas catracas do Estádio Geraldão para acompanhar Cacerense 1×2 Uirapuru, pela semifinal de ida da Segunda Divisão do Campeonato Mato-Grossense.
É o maior público registrado em toda a edição 2026 da competição.
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E é, novamente, o maior público de um jogo profissional de Mato Grosso no fim de semana — superando partidas da Série B e da Série D do Brasileirão envolvendo clubes considerados “de elite” do estado.
Mas o número, sozinho, não conta a história inteira. A história está em como esse número foi construído.
A escalada de uma torcida que foi conquistada — não convocada

Em menos de 30 dias, o Geraldão somou 6.918 pagantes acumulados na 2ª Divisão. O recorde foi batido mesmo com a Fera perdendo dentro de campo. O número foi feito não pelo placar — pelo evento.
Comparando com quem joga em divisão “maior”

A Princesinha do Pantanal, cidade de menos de 100 mil habitantes, jogando a 2ª Divisão do
estadual, levou:
• 85% mais gente que o Cuiabá levou na Série B nacional
• 338% mais gente que o Mixto na Série D
• 1.357% mais gente que o Operário-VG na Série D
Em densidade de paixão por metro quadrado, o Geraldão hoje é o estádio mais vivo de Mato Grosso.
Mas afinal — o que Cáceres fez de diferente?
Aqui está a parte que ninguém está contando ainda. O Geraldão não enche por acaso.
A diretoria do Cacerense, sob a presidência do Grupo SEEG, virou uma chave estratégica em 2026: parou de tratar o jogo como partida e passou a tratá-lo como evento completo de cidade. Cada detalhe foi pensado para honrar quem paga o ingresso.
O modelo de experiência implantado no Geraldão
■ Banda tocando antes do jogo
A chegada do torcedor não é mais com catraca silenciosa. É música ao vivo no entorno do estádio, criando clima de festa desde o estacionamento.
■ Show no intervalo com grupos de dança das escolas da cidade
O intervalo virou palco. Crianças e adolescentes de escolas de Cáceres se apresentam dentro do gramado. Resultado: famílias inteiras vão ao estádio porque o filho, o sobrinho, o neto está se apresentando.
■ Crianças em apresentações dentro do campo
A entrada em campo, o aquecimento, os intervalos — tudo virou oportunidade de protagonismo para a comunidade. A escola se vê na arquibancada. O bairro se vê em campo.
■ Camarotes empresarial, VIP e setor premium
O Cacerense profissionalizou a recepção corporativa. Empresários locais, parceiros e patrocinadores têm espaço dedicado, conforto e visibilidade. Atrai público novo e investimento que se reverte em estrutura.
■ Setor família em estudo — sem álcool, com brinquedos
A diretoria está estruturando um setor exclusivo para famílias com crianças, livre de bebida alcoólica e com brinquedos infantis. Um espaço seguro para pais levarem filhos pequenos. Não existe em nenhum outro estádio de MT.
■ Ingresso acessível: R$ 10 inteira, R$ 5 meia
Enquanto o ingresso médio do Brasileirão flerta com R$ 80 a R$ 150, Cáceres mantém o preço que cabe no bolso do trabalhador. Acessibilidade como decisão política, não como caridade.
A leitura por trás do modelo
Tem um pensamento simples — e profundo — guiando essa virada: o torcedor é o 12º jogador. E o 12º jogador merece ser tratado como atleta titular.
Quando você:
1. Respeita quem paga o ingresso,
2. Entrega um evento que vai além dos 90 minutos,
3. Inclui a família, a escola, a empresa, o bairro,
4. Faz da cidade inteira parte do espetáculo —
…você não pede para o torcedor vir. Ele vem. E volta. E traz mais gente.
Em Cáceres, a torcida não está sendo convocada. Está sendo honrada. E é isso que enche o Geraldão.
A provocação carinhosa que precisa ser dita
Aos torcedores do Cuiabá: vocês têm um clube que foi 4 anos seguidos na Série A, joga numa arena de quase 43 mil lugares, tem patrocínio, estrutura SAF, reconhecimento nacional. E foram 1.743 numa Série B? O Dourado merece mais — e talvez precise olhar para Cáceres antes que o público de MT inteiro mude de endereço afetivo.
Aos torcedores do Mixto: vocês carregam 25 títulos estaduais, a maior tradição do futebol mato-grossense. E 738 numa Série D, em casa? O Tigre merece mais. A história do Mixto pede mais.
Aos torcedores do Operário-VG: 222 pessoas num jogo da Série D não conta a história desse clube. Várzea Grande merece mais.
E aos torcedores do Cacerense: vocês entenderam primeiro. Continuem indo. Não parem. Porque vocês não estão só apoiando um clube — vocês estão construindo o novo modelo do futebol mato-grossense. E o estado inteiro está olhando.
O recado final
Em Mato Grosso, há clubes com mais história, mais dinheiro, mais arena, mais televisão. Mas só em Cáceres o torcedor é tratado como dono da festa.
E o recado é direto: futebol de qualidade não é só o que acontece em campo. É como a torcida é recebida fora dele.
O Geraldão tem licença para 8.000 pessoas. No último jogo, foram 3.234. Sobram 4.766 lugares para ocupar.
Se 3.234 fizeram barulho que ecoou pelo estado inteiro… imagina 8.000?
Lota o Geraldão. Honra quem te honra. Faz o estado virar a cabeça pra cá. De novo.
Fonte: Cacerense
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