Cáceres, 23 de abril de 2026 - 09:19

Ex-diretor do Regional de Cáceres entrou na AGIR no mesmo dia da exoneração

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 O ex-diretor do Hospital Regional de Cáceres, Wellyngton Alessandro Dolce, entrou no centro de uma denúncia analisada pelo Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso após uma linha do tempo de atos oficiais conectar seu nome à fase interna do modelo de contratação da OSS AGIR, à direção da unidade e à entrada imediata na entidade que assumiu a gestão do hospital.

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 Documentos aos quais a reportagem teve acesso mostram que o primeiro marco formal aparece na Portaria nº 0839/2024/GBSES, publicada em 16 de dezembro de 2024, que instituiu as comissões responsáveis pela fase interna do procedimento de seleção das organizações sociais na saúde. O nome de Wellyngton Alessandro Dolce consta entre os integrantes da comissão ligada à estruturação desse modelo.

 Depois disso, ele assumiu a direção do Hospital Regional de Cáceres, passando a ocupar posição estratégica dentro da unidade enquanto avançava o Chamamento Público nº 001/2025/SES-MT, que resultou no Contrato de Gestão nº 001/2025/SES/MT para administração do hospital por 36 meses. A própria decisão do TCE registra que a denúncia aponta a presença de Dolce em momentos distintos do processo e cita ainda sua participação na comissão de transição da gestão para a AGIR.

 

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Divulgação

 O trecho mais delicado da linha do tempo aparece em 12 de fevereiro de 2026. Conforme a denúncia analisada pelo Tribunal, a exoneração de Wellyngton Alessandro Dolce foi publicada no Diário Oficial nº 29.172 e, na mesma data, ele já aparecia vinculado à estrutura da AGIR como Diretor Administrativo e Financeiro. O dado é reforçado por material institucional da própria organização social, que o apresenta no cargo e afirma que ele esteve à frente da direção do Hospital Regional de Cáceres no último ano.

 A denúncia sustenta que essa passagem direta entre a gestão pública do hospital e a diretoria da entidade privada que venceu o contrato precisa ser apurada à luz dos princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa. A Secretaria de Estado de Saúde respondeu ao TCE afirmando que Dolce deixou a comissão antes da fase de habilitação e julgamento e que não há vedação normativa para contratação posterior por organização social.

 Ao analisar o pedido de medida urgente, o Tribunal de Contas decidiu não suspender de imediato o contrato, sob o argumento de que a paralisação poderia causar prejuízo à continuidade dos serviços hospitalares. Mesmo assim, a Corte não arquivou o caso. Pelo contrário, reconheceu a existência de fatos novos relacionados à atuação de agentes públicos e ex-agentes públicos e determinou o prosseguimento da apuração técnica.

 Conforme a reportagem publicou, o caso gira em torno do Chamamento Público nº 001/2025 da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso, que resultou na contratação da Organização Social de Saúde AGIR para administrar o Hospital Regional Doutor Antônio Fontes por 36 meses. Segundo a denúncia apresentada ao TCE, apenas a própria AGIR participou do processo, fato que reforçou a suspeita de possível direcionamento e de restrição ao caráter competitivo do certame.

 O que passou a ser investigado em Mato Grosso vai além de uma simples troca de cargo. O que está sob análise é se a passagem entre o comando público do hospital e a diretoria da entidade privada que assumiu um contrato de R$ 669 milhões respeitou, de fato, os limites exigidos da administração pública.

 A reportagem deixa espaço aberto para manifestação dos citados.

 Fonte: Folha5

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