Cáceres, 7 de março de 2026 - 06:10

Cenário Econômico Brasileiro: Entre o Aperto Monetário e a Necessidade de Crescimento

Cenário Econômico Brasileiro Entre o Aperto Monetário e a Necessidade de Crescimento

 Por Adriane do Nascimento

 A atividade econômica brasileira apresentou sinais de desaceleração no segundo trimestre de 2025, segundo o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) — considerado uma prévia do PIB. Em junho, houve retração de 0,06% em relação a maio, após a queda de 0,7% no mês anterior. No consolidado trimestral, o crescimento foi de apenas 0,3%, confirmando a perda de dinamismo da economia.

🚀 ENTRE EM NOSSO GRUPO DO WHATSAPP AQUI! 🔥

 Esse arrefecimento decorre, sobretudo, da manutenção da política monetária restritiva, com a taxa Selic fixada em 15% ao ano pelo Copom. A medida visa conter pressões inflacionárias persistentes e ancorar expectativas de preços, mesmo diante do expansionismo fiscal em curso. O desempenho setorial do IBC-Br em junho reforça esse quadro: a agropecuária recuou 2,27%, a indústria caiu 0,08%, enquanto o setor de serviços avançou 0,10%. Excluindo a agropecuária, a atividade registraria leve alta de 0,07%.

 As projeções indicam continuidade da desaceleração nos próximos meses, refletindo a intensificação dos efeitos do aperto monetário sobre consumo e investimentos. Soma-se a isso o cenário externo adverso, marcado pela imposição de novas tarifas comerciais pelos Estados Unidos, já impactando exportações e decisões de investimento.

 Embora o IBC-Br seja referência para o Banco Central na calibração da política monetária, o Boletim Focus já aponta expectativa de IPCA abaixo de 5% em 2025. O debate atual revela, portanto, a tensão entre os objetivos de estabilidade monetária e a urgência de retomar o crescimento econômico sustentável. Em tempos de incerteza, o debate sobre a política monetária no Brasil exige maturidade: garantir estabilidade de preços sem comprometer a retomada sustentável da atividade econômica. A chave está no equilíbrio — e na confiança das instituições.

 Em meio a esse cenário, é preciso reconhecer que o papel da política monetária não se limita a controlar a inflação, mas também a sinalizar previsibilidade e solidez institucional. Mais do que decisões técnicas, trata-se de transmitir segurança aos agentes econômicos, reduzindo incertezas e criando um ambiente propício para o investimento produtivo. O equilíbrio entre estabilidade de preços e crescimento sustentável depende, portanto, da confiança no Banco Central e na capacidade do país de preservar fundamentos econômicos sólidos — condição indispensável para transformar cautela em oportunidade e incerteza em confiança.

Fontes:

https://valor.globo.com/mercados/noticia/2025/08/15/inflacao-desacelera-em-julho.ghtml

BANCO CENTRAL DO BRASIL. Banco Central do Brasil. Brasília, [s.d.]. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/. Acesso em: 19 ago. 2025.

Autora:

Adriane do Nascimento. Advogada. Especialista em Direito Societário, Direito do Trabalho e Direito Tributário. Mestra em Economia, Políticas Públicas e Desenvolvimento pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), em Brasília/DF. Registrada no Conselho Regional de Economia sob o nº 0001/MT. Premiada no Prêmio Brasil de Economia – 2023, na categoria Artigo Técnico-Científico, no XXV Congresso Brasileiro de Economia realizado pelo Conselho Federal de Economia (Cofecon). Consultora da Comissão Especial de Direito Tributário do Conselho Federal da OAB (CFOAB) – Gestão 2022/2024. Atualmente, é Doutoranda em Direito pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), em Brasília/DF.

 Fique ligado no Cáceres News para todas as informações do dia-a-dia de Cáceres e Região.

Compartilhe nas redes sociais:

Facebook
Twitter
WhatsApp

Notícias Recentes: