Cáceres, 14 de março de 2026 - 20:00

Em carta aberta, filha conta que sua mãe morreu por suposta negligência médica no Hospital Regional de Cáceres

 Ingrid Leite de Oliveira entrou em contato com o folha5 e pediu espaço para contar a história de sua mãe, Edwiges Fernandes Leite, 72 anos que morreu no dia 14 de agosto no Hospital Regional de Cáceres. Ingrid contou que sua mãe foi supostamente negligenciada durante horas enquanto esteve na unidade hospitalar. A filha escreveu uma carta explicando que sua mãe antes de morrer reclamou que estaria piorando e ao avisar os profissionais da unidade nada foi feito.

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 Na sua carta, Ingrid contou que registrou um boletim de ocorrência e que vai denunciar o caso nas autoridades competentes.

 A redação vai entrar em contato com a SES-MT, responsável pela gerência do Hospital, para saber quais as providências serão tomadas. Assim que recebermos uma resposta, o outro lado será publicado.

 Confira a carta:

 A MORTE DE MINHA MÃE DENTRO DO HR DE CÁCERES

 Por: Ingrid Leite de Oliveira

 Dói lembrar, mas agora é hora de falar. Domingo foi a missa de 7° dia de falecimento de minha mãe conhecida por todos Duda, Edwiges Fernandes Leite. Deixou uma saudade imensa e todos que a conheciam, mas também deixou todos perplexos, já que sua partida foi repentina. Faleceu dia 14/08/2023 no Hospital Regional de Cáceres e eu acompanhante tive de pedir várias vezes para que ela fosse atendida com dor durante a noite.

 Duda não apresentava problemas de saúde, ia regulamente ao médico, acordava cedo todos os dias, era voluntariada no Centro de idosos “Remanso”, aos domingos ia a missa, fazia parte de outras atividades da igreja. Duda era uma senhora de 72 anos com os dias bastante agitados.

 No sábado 12 de agosto de 2023, Duda se sentiu teve náusea e ao tentar ir ao banheiro ela caiu, foi socorrida por sua neta, disse que estava bem e que não precisava ir ao médico, que estava sentindo o joelho, mas que teria consulta agendada na segunda com seu médico.

 No domingo dia 13 a neta avisou que chamaria o bombeiro, pois sua avó sentia dificuldades de movimentar e também havia se alimentado pouco. O socorro chegou, cabe agradecer ao serviço de ambulância da Prefeitura de Cáceres, que a buscou em casa. Dando entrada ao UPA, que constatou que Duda deveria ser encaminhada ao Hospital Regional de Cáceres por se tratar de queda. Duda deu entrada no Hospital por volta das 16H, foi solicitado exames, Raio X e tomografia de Crânio, tórax, raio x, de membros inferiores e quadril.

 Eu, filha, cheguei por volta das 18:30, minha sobrinha foi embora e eu fiquei, logo a chamei disse que estava lá, ela respondeu que bom, tinha tomado dois medicamentos cortisona e omeprazol. A técnica me informou que o médico logo passaria e que provavelmente Duda dormiria lá, o ortopedista passou e me informou que ela não havia sofrido nenhuma quebradura eu disse que ela havia colocado prótese nos joelhos, ele disse que tudo estava bem, me levou até sua sala e me mostrou o raio  x. eu mencionei que Duda estava fraca e que havia vomitado no dia anterior, o medico me informou que essa parte eu deveria ver com o médico cirurgião, pois da ortopedia estava tudo bemCabe lembrar que eu não presenciei ninguém medindo a pressão arterial de minha mãe, nem medindo os batimentos cardíacos dela, exceto já pela manhã uma estagiária de medicina que não perguntei o nome, porque eu fui chamar no guichê, das tantas vezes que já havia chamado alguém.

 Houve a troca de plantão e lá pelas 21h mais ou menos demos entrada no quarto, a técnica de enfermagem Tatiane, se apresentou e disse que ficaria de plantão, eu falei o que houve e disse que minha ame estava fraca, foi providenciado um lanche pra ela, pão com leite, Duda comeu. Logo depois pediu que queria evacuar, não estava ainda conseguindo andar só, como não houve tempo a técnica veio trocamos de roupa e seguimos.

 Sei que lá pelas 23:30 Duda pediu que a levasse no banheiro, chamamos o maqueiro colocamos na cadeira e fomos, ela retornou, depois de um tempo ela pediu novamente para ir, desde então ela começo a ficar inquieta, estava cansada de ficar deitada, e começou reclamar de dor nos pés pernas e quadril. Eu virava pra um lado, ela pedia pra virar para outro, não encontrava posição. Lá pelas 3 da manhã ela começou a gemer, fui até a enfermaria avisei a técnica. Daí pra diante estive na enfermaria diversas vezes, Duda dizia que doía o peito, me pedia para chamar, eu ia chamava voltaram três vezes com medicamento, 1° dipirona, depois tramal, depois dipirona novamente, pedi para informar ao médico que o pé dela estava ficando roxo. Só já quase 6 da manhã foi que a enfermeira chefe veio até o quarto para ver Duda, mas já era tarde, levaram as pressas para o box do trauma pra ela não voltar mais.

 Quando vieram falar comigo o médico Carlos Castro Rioja, teve a coragem de começar dizendo que em decorrência da queda minha mãe havia falecido, ele deixou a  atender que ela não estava bem antes, sim, inclusive foi este o motivo que a levamos ao hospital, ele disse que minha mãe teve febre, como ele pode afirmar isso se ele nem ninguém tocou nela? Disse que ela estava confusa, como se Duda estava respondendo a todos, inclusive insistiu todas as vezes que queria ai ao banheiro, disse inclusive “minha filha minha vista esta ficando cinza, chama o médico” como pode alguém com baixa consciência fazer este tipo de comentário?

 Registrei boletim de ocorrência, no mesmo dia, porque médico nem a enfermeira de plantão foram ve-la, já que ela reclamou de dor por pelo menos 3 horas seguidas. Me pergunto por que o médico e a enfermeira não foram ve-la? Qual critério para que os plantonistas atendam os pacientes? Por que o médico de plantão não se apresentou quandoassumiu os pacientes? Por que o médico cirurgião não veio falar comigo sobre os exames solicitados e sobre a tomografia realizada? No documento de óbito o médico atesta que minha mãe morreu de insuficiência respiratória aguda, por que não a colocaram no oxigênio? Ou no box logo que notaram? De enfisema pulmonar, porque não recebeu medicamento para tratar estas debilidades?

 Outras perguntas, qual procedimento médico adotado da 0 as 06 da manhã? Como funciona o sistema dos plantonistas com relação ao descanso? Qual período de descanso dos plantonistas?

 Me cabe enquanto filha questionar sim, pois se eu tivesse feito escândalo como outros já fizeram, teria sido conduzida para fora do hospital como barraqueira. Não quero que outras famílias percam seus familiares implorando atendimento médico, quero que apurem a real causa da morte de minha Duda uma senhora cheia de vida de luz pela frente, se ela tivesse falecido mesmo que estivesse recebido todos os cuidados eu hoje estaria aqui escrevendo como é bom contar com os profissionais de saúde incansáveis que temos no Hospital regional de Cáceres e que estavam de plantão no setor de trauma dias 13 e 14 de agosto de 2023.

 Reprodução: Folha 5

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