Por Adriane do Nascimento
As eleições de 2022 no Mato Grosso revelaram um amplo conjunto de informações que ajudam a entender não apenas o comportamento eleitoral do estado, mas, sobretudo, o papel estratégico de Cáceres na formação do mapa político regional.
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Ao realizar um levantamento, analisou-se de forma detalhada o perfil dos eleitores, os padrões de votação e a dinâmica partidária no estado. Os resultados revelam tendências importantes e ajudam a compreender os possíveis caminhos para o cenário político da região nos próximos anos.
- Cresce o número de eleitores — mas cresce ainda mais a abstenção
Entre 2012 e 2024, o total de eleitores aptos no Mato Grosso aumentou de forma contínua. Em 2022, o estado registrou 2.469.414 eleitores aptos, mas 577.261 não compareceram às urnas, representando 23,37% de abstenção — uma das maiores taxas já registradas

O estudo aponta que o crescimento da abstenção tem causas conhecidas no interior de MT:
- Dificuldades de deslocamento,
- Distanciamento entre eleitor e política institucional,
- Problemas de acesso às seções eleitorais.
Para Cáceres — município de grande extensão territorial e zonas rurais distribuídas — esse cenário é ainda mais sensível.
- Quem é o eleitor mato-grossense
Segundo o levantamento, o eleitorado do estado é composto majoritariamente por:
- Mulheres (51%)
- Pessoas pardas (60,51%)
- Faixa etária: 25 a 44 anos, especialmente entre 35 e 39 anos
- Escolaridade predominante: Ensino Médio Completo.

Esses dados revelam um eleitor com forte participação feminina e perfil socioeconômico intermediário, o que influencia diretamente o tipo de discurso e políticas públicas que tendem a mobilizar votos.
- Representatividade ainda distante do perfil da população
Quando se observa os eleitos, no entanto, o contraste é evidente:
- 90,9% dos parlamentares eleitos são homens
- 69,7% são brancos
- 81,8% têm ensino superior
Essa disparidade reforça que a representatividade ainda não reflete o eleitor comum, inclusive o eleitor cacerense.
- Cáceres votou mais em candidatos da casa — mas não elegeu nenhum
A análise exclusiva sobre o município mostra que 55,24% dos votos dos cacerenses foram destinados a candidatos da própria cidade. Ainda assim, nenhum deles conseguiu se eleger.
A expressiva votação local foi o candidato a deputado estadual Francis Maris da Cometa (PSDB), que obteve 12.926 votos, correspondente a 28,53% dos votos em Cáceres, mas insuficientes para garantir vaga na Assembleia Legislativa.
Outros nomes locais, como da candidata Valdeníria (PSB – 7.097 votos) e candidato Eng. Nakamoto (PTB – 4.194 votos), também receberam expressivo volume de votos na cidade, mas igualmente ficaram fora das cadeiras. A explicação central está na lógica do sistema proporcional, que depende não apenas da votação individual, mas do desempenho coletivo do partido, o chamado quociente partidário (QP).
- Identidade do voto cacerense: direita na frente, esquerda forte e centro consolidado
O estudo mostra que o eleitor de Cáceres distribuiu seus votos da seguinte maneira:
- Direita – 45%
- Esquerda – 34,6%
- Centro – 20,5%
O peso da direita deve-se, principalmente, à votação expressiva do candidato Francis Maris (PSDB). Já a esquerda teve bom desempenho por meio de PT e PSB, enquanto MDB e PSD sustentaram os votos do centro.
Um dado que surpreende: 42% dos votos de Cáceres foram destinados a candidatos de outras regiões, sobretudo Cuiabá e municípios do norte. Esse comportamento indica que a cidade ainda não capitaliza plenamente a força dos votos locais.
- O que explica a falta de eleitos em Cáceres?
O estudo identifica cinco fatores centrais:
- Fragmentação da nominata: Partidos com candidatos de Cáceres não conseguiram montar listas equilibradas o suficiente para disputar o quociente partidário.
- Excesso de votos individuais que não geram cadeira: Mesmo votações expressivas — como a de Francis — não se converteram em mandato.
- Falta de articulação partidária regional: Outras regiões, com partidos mais organizados, converteram melhor seus votos.
- Baixa presença feminina e de jovens candidatos competitivos: Refletindo o distanciamento entre perfil dos eleitores e perfil dos candidatos.
- Abstenção elevada: Cada voto não registrado impacta na totalidade do quociente estadual.
- O que isso significa para 2026?
As conclusões técnicas do estudo apontam caminhos importantes para qualquer força política interessada na disputa proporcional:
- Organizar nominatas fortes e equilibradas: Não basta ter “um grande puxador”; é preciso ter vários candidatos medianos que sustentem as médias partidárias.
- Trabalhar voto de legenda: O eleitor precisa saber que votar no número do partido também ajuda a conquistar cadeiras.
- Reduzir abstenção com mobilização territorial: Bairros, comunidades e zona rural devem ser trabalhados com logística e informação.
- Reforçar a identidade territorial: Cáceres perde competitividade quando transfere 42% de seus votos para outros municípios.
- Planejamento antecipado: As campanhas vencedoras, segundo o estudo, são as que começam antes: presença, escuta e constância.
Conclusão:
Cáceres tem força — falta transformar essa força em representação!
Os dados mostram que Cáceres possui eleitorado expressivo, politizado e com forte identidade local. No entanto, a falta de articulação partidária e a ausência de alinhamento estratégico nas nominatas têm impedido a cidade de converter sua capacidade eleitoral em cadeiras na Assembleia e no Congresso.
Se os padrões observados em 2022 forem revertidos — seja com partidos mais organizados, campanhas mais educativas ou maior mobilização —, Cáceres pode ter papel ainda mais relevante nas eleições de 2026, ocupando o espaço político que seu eleitorado já demonstra possuir.
Por fim, os resultados das eleições de 2022 em Mato Grosso fornecem um retrato detalhado do comportamento político do estado, revelando como se distribuem os votos, quais perfis ganham maior apelo eleitoral e quais partidos demonstraram maior capacidade de articulação. Esse conjunto de informações se torna ainda mais relevante diante da aproximação do pleito de 2026, especialmente para quem pretende disputar vagas para deputado estadual e federal.
Autora: Adriane do Nascimento é advogada, Doutoranda em Direito Constitucional pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), Instituição pela qual também é Mestra em Economia, Políticas Públicas e Desenvolvimento (CORECON-MT n.º 00001/ME). É especialista em Direito Tributário, Direito Societário e Direito do Trabalho. Atua como Sócia-Administradora da Sociedade de Advocacia Simões Santos, Nascimento & Associados, em Cáceres/MT, e como Diretora Executiva da Consultoria Empresarial e Econômica Simões Santos, Nascimento & Almeida, em Cuiabá/MT. Entre 2022 e 2024, integrou a Comissão Especial de Direito Tributário do Conselho Federal da OAB como Consultora. Prêmio Brasil de Economia – 3º lugar na edição de 2024, na categoria Artigo Temático; e 1º lugar na edição de 2023, na categoria Artigo Técnico-Científico.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Tribunal Superior Eleitoral. Resultados das eleições – Sistema de Divulgação de Resultados (SIG). Disponível em: https://sig.tse.jus.br/ords/dwapr/r/seai/sig-eleicao/home?session=306985222568925. Acesso em: 6 dez. 2025.
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