Cáceres, 12 de junho de 2026 - 18:05

Menina de 12 anos foi morta pelo pai na primeira vez em que dormiu na casa dele, diz advogada

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 Segundo a advogada da mãe, a convivência entre a criança e Claudinei da Silva havia sido retomada há pouco tempo e ocorria de forma gradual, após anos de afastamento.

 A reaproximação entre a menina de 12 anos morta pelo próprio pai, Claudinei da Silva, em Várzea Grande, era recente e ocorria de forma controlada pela família materna. Segundo a advogada criminalista Dayane Rodrigues, que representa a mãe da vítima, os dois passaram anos sem contato e as visitas eram limitadas, sem pernoites ou convivência frequente. No dia do crime, seria a primeira vez que a criança iria dormir na residência do pai.

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 De acordo com a defensora, pai e filha ficaram anos sem contato após Claudinei ser preso por uma tentativa de homicídio contra a ex-esposa, ocorrida em 2018.

 Após deixar a prisão, ele e familiares procuraram a mãe da criança para tentar retomar a convivência. O pedido foi aceito porque a menina manifestava frequentemente o desejo de conhecer e conviver com o pai.

 “Em 2018, ele tentou contra a vida dela, da mãe. A menina, na época, era muito menor. Então, a partir dessa data de 2018, foi quando ela se separou dele e aí ela nunca mais deixou ele ter contato com a filha. Ele foi preso por esse crime, que ele cometeu contra ela. Ficou preso, saiu de tornozeleira e procurou a mãe, com os seus familiares, para tentar uma reaproximação em relação à criança”, contou.

 

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Reprodução

 Segundo Dayane, a aproximação ocorria de forma gradual e sob acompanhamento da família. Conforme o relato da defesa, a menina não se lembrava dos episódios de violência envolvendo os pais porque era muito pequena quando aconteceram.

 “E a menina sempre pediu pra mãe que queria ter o pai, porque ela via as amiguinhas da escola tendo pai, então ela falava ‘mãe, eu quero conhecer meu pai’, porque a criança não lembra de nada da época dos fatos. Então, a mãe permitiu esse contato, era um contato que somente a menina ia ver o pai e voltava pra sua casa, então não era algo, assim, de muita intimidade”, afirmou.

 No domingo (7), dia do crime, a menina participava de um encontro com familiares paternos e conheceria o avô pela primeira vez. Horas depois, ela foi encontrada desacordada dentro da casa do pai.

 “Nesse dia do acontecido, foi o dia em que a criança iria conhecer o avô paterno. Foi um aniversário, eles estavam em um clube e a mãe foi para buscar a menina de manhã na casa. Ela falou assim ‘não, mamãe, eu não quero, eu vou conhecer o meu avô’. Foi quando aconteceu toda a situação.”, contou.

 Claudinei foi preso em flagrante e confessou à polícia ter matado a filha. Ele foi autuado pelo crime de feminicídio.

O crime

 As investigações tiveram início após uma equipe da DHPP receber a informação sobre um possível homicídio no bairro Serra Dourada, em Várzea Grande. A vítima deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Verdão, em Cuiabá, já sem vida e com diversas lesões pelo corpo, compatíveis com agressões físicas.

 Diante da gravidade do caso, os policiais, sob coordenação do delegado Nilson Farias, deram início às investigações.

 De acordo com o relato da mãe da adolescente, ela foi até a casa do ex-marido por volta das 18h para buscar a filha. Após insistir diversas vezes no portão, o homem saiu da residência e afirmou que a menina não estava no local, alegando que ela estaria brincando na casa de uma vizinha.

 Desconfiada da versão apresentada, a mulher percebeu que o comportamento dele era estranho. Pouco depois, o homem deixou o imóvel correndo e fugiu.

 Ao entrar na residência, a mãe encontrou a filha no chão de um dos quartos, desacordada e com várias marcas de agressão pelo corpo. Com a ajuda de uma amiga, ela socorreu a adolescente e a levou para a UPA do Verdão, onde a morte foi confirmada pela equipe médica.

 Após serem acionados, policiais da DHPP iniciaram as diligências e seguiram até a residência onde ocorreu o crime. No local, encontraram manchas de sangue no quarto onde a menina foi morta. Os investigadores realizaram o isolamento da área e acionaram a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) para os exames periciais e levantamentos necessários.

 Durante os trabalhos investigativos, a equipe recebeu a informação de que o homem havia se apresentado espontaneamente na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher e Vulneráveis 24 Horas de Várzea Grande.

 Os policiais se deslocaram até a unidade policial e conduziram o investigado para a sede da DHPP. Após ser interrogado, ele foi autuado em flagrante por feminicídio.

Denuncie

 A violência contra a mulher não pode ser ignorada nem ficar impune. Em Mato Grosso, há canais gratuitos e seguros para denunciar agressões, ameaças ou risco de feminicídio. As denúncias podem ser anônimas, e o boletim de ocorrência pode ser feito online, por meio da Delegacia Digital: https://delegaciadigital.pjc.mt.gov.br/.

 Em caso de emergência ou flagrante, procure ajuda imediata pelos telefones 190 (Polícia Militar), 197 (Polícia Civil), 181 (Disque Denúncia) ou 180 (Central de Atendimento à Mulher). Em Cuiabá, também é possível acionar a Patrulha Maria da Penha pelo número (65) 98170-0199.

 O atendimento presencial está disponível na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá e na Delegacia da Mulher de Várzea Grande. A pena para crimes contra a mulher pode chegar a 40 anos de prisão, conforme estabelecido pela Lei Federal nº 14.994/2024, conhecida como Pacote Antifeminicídio.

 Fonte: ReporterMT

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