Cáceres, 8 de junho de 2026 - 15:24

Desembargador, deputado e advogado são alvos de operação da PF que investiga venda de decisões judiciais em MT

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Investigados podem responder por crimes de corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro.

 O desembargador Dirceu Santos, o deputado estadual Faissal Calil (PL) e o advogado Bruno Oliveira Castro foram alvos da Operação Gemini, nesta segunda-feira (8), em Cuiabá, que investiga um suposto esquema de venda de decisões judiciais e lavagem de dinheiro no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

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 Faissal, que teve o celular apreendido pela PF, disse à imprensa que a operação não tem a ver com o mandato como deputado e negou qualquer contato com os demais alvos.

 “Não nenhuma transação econômica minha com ele [desembargador]. Desde que virei deputado e saí do Tribunal de Justiça, eu perdi todo o meu contato e simplesmente me afastei

 Em nota, a defesa de Bruno Castro afirmou que ele foi incluído na investigação por ter atuado como advogado de uma das partes em um dos processos alvo da operação.

 

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PF cumpre mandados contra desembargador e deputado de MT

 O TJMT informou que nenhum mandado foi cumprido na sede do Poder Judiciário e que o processo tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O g1 tenta localizar a defesa de Dirceu.

 A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços dos investigados, além de buscas pessoais e da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático, com autorização da Justiça. Na ação, foram apreendidos Rolex, armas e canetas de luxo.

 Segundo a PF, os investigados podem responder pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e advocacia administrativa — que ocorre quando um servidor público utiliza do cargo para defender interesses particulares.

Como esquema funcionava?

 As investigações apontaram que o desembargador contava com o deputado para receber supostas vantagens indevidas, pagar dívidas da família e realizar negociações imobiliárias. Ainda não há detalhes sobre qual era a participação do advogado.

 Segundo a PF, essas operações tinham o objetivo de ocultar a origem dos recursos e dar aparência de legalidade às movimentações financeiras.

 A análise das contas bancárias dos investigados também identificou movimentações consideradas suspeitas, incluindo mais de R$ 3,2 milhões em depósitos e saques em dinheiro.

 Os investigadores apontaram ainda transferências de recursos feitas por empresas do agronegócio que tinham disputas judiciais em andamento no Tribunal de Justiça de Mato Grosso, sem justificativa comercial identificada até o momento.

Desembargador afastado

 Em março deste ano, Dirceu foi afastado, por tempo indeterminado, após decisão da Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ele foi o terceiro magistrado a ser afastado da Justiça de Mato Grosso desde o início das investigações por venda de decisões (entenda mais abaixo).

 Na época, o CNJ apontou indícios de que o desembargador teria proferido decisões judiciais “mediante possível recebimento de vantagens indevidas”, com intermediação de terceiros, entre eles empresários e advogados.

 A medida de afastamento foi adotada após a investigação também apontar movimentação financeira considerada atípica nas contas do magistrado, que somaram mais de R$ 14,6 milhões em um período de cinco anos.

 Fonte: G1

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