A polêmica envolvendo a influenciadora digital Yara Fernanda Oliveira Adami ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (02.06). Após a divulgação de informações sobre seu vínculo com o Bolsa Família, uma representação foi protocolada no Ministério Público de Mato Grosso pedindo a apuração da regularidade dos dados informados por ela ao Cadastro Único do Governo Federal.
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O documento entregue ao MP reúne registros públicos que apontam Yara como beneficiária do Bolsa Família desde janeiro de 2022. Também foram anexados documentos que mostram que ela é doutoranda em Linguística pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), além de publicações nas redes sociais que demonstram seu casamento com o pecuarista Leonardo Sampaio.
Segundo a representação, o objetivo não é acusar a influenciadora de fraude ou qualquer irregularidade, mas solicitar que os órgãos competentes verifiquem se as informações declaradas ao Cadastro Único correspondem à situação familiar e financeira existente quando o benefício foi mantido.
Os autores da denúncia anexaram ao procedimento um print do Sistema de Benefícios ao Cidadão (SIBEC), onde Yara aparece como responsável familiar do benefício. Também foram juntados registros públicos da Unemat, documentos relacionados ao programa de doutorado e publicações feitas pela própria influenciadora em suas redes sociais.
A representação ainda cita reportagem publicada pelo portal Cáceres News MT, que revelou que Yara recebe Bolsa Família, cursa doutorado na Unemat e chegou a procurar orientação para disputar uma vaga de vereadora em Cáceres nas eleições de 2028.
Entre os pontos que o Ministério Público poderá verificar estão a composição familiar declarada ao Cadastro Único, os rendimentos considerados para manutenção do benefício e o cumprimento das exigências previstas pelo programa social.
Antes da publicação da reportagem, a redação procurou Yara Fernanda Oliveira Adami para esclarecer uma série de questionamentos. Entre eles, se ela atualmente recebe Bolsa Família, se recebe bolsa de doutorado vinculada à Unemat, qual o valor eventualmente recebido, se o marido integra a composição familiar informada ao Cadastro Único e se as informações declaradas aos órgãos públicos refletem sua atual situação familiar e financeira. Até o fechamento desta reportagem, ela não respondeu aos questionamentos do Folha 5.
Apesar de não responder à reportagem, Yara publicou ontem(1º de jjunho) um vídeo em suas redes sociais afirmando que recebe o benefício e que está dentro da legalidade. Na gravação, ela disse estar chateada e se sentindo atacada.
“Eu recebo Bolsa Família, eu estou dentro da lei. Se existem leis que beneficiam mães, estudantes e pessoas, e as pessoas se enquadram, é isso, eu estou dentro da minha legalidade”, afirmou.
No vídeo, a influenciadora também criticou políticos que, segundo ela, ganham mais de R$ 10 mil e votam leis em benefício próprio. Ela ainda disse que o caso seria uma tentativa de criar uma “cortina de fumaça” contra ela.
“Eu acho uma vergonha é político ganhar mais de 10 mil reais e votar para leis em benefício próprio, enquanto eles são eleitos para defender e representar o povo. Isso eu acho vergonha. Estão tentando fazer uma cortina de fumaça em cima de mim, porque de certo eu devo estar incomodando alguém”, declarou.
Yara afirmou ainda que não pretende parar de se posicionar publicamente.
“Eu não paro, não vou parar de defender as coisas que eu acredito, de falar e mostrar o que eu acho que está errado. Eu não faço parte desse tipo de política de covardia. Eu sou mãe, eu sou mulher, eu sou estudante, eu mereço respeito”, disse.
A Secretária Municipal de Assistência Social, Andressa da Silva Mendonça dos Santos também foi procurada para esclarecer quais informações constavam no cadastro da beneficiária, se havia registro do cônjuge na composição familiar, quais critérios estavam sendo considerados para manutenção do benefício e se existia alguma inconsistência identificada pelos sistemas de controle. Em manifestação encaminhada por uma servidora, o órgão informou apenas que eventuais solicitações deveriam ser protocoladas formalmente junto à Prefeitura.
Na representação protocolada junto ao Ministério Público, os autores deixam claro que não estão afirmando a existência de fraude, irregularidade ou ilícito. O pedido encaminhado ao órgão é para que sejam realizadas verificações oficiais sobre a regularidade das informações declaradas ao Cadastro Único e ao Programa Bolsa Família.
Agora caberá ao Ministério Público analisar os documentos apresentados e decidir se instaura procedimento para aprofundar a apuração dos fatos.
Fonte: Folha5
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